
19 de mai. de 2008
Libertas quae sera tamen

11 de mai. de 2008
Mulheres sereias

Vou lhes contar uma história, mas em vez de começar pelo tradicional "Era uma vez", vou direto ao final, que não é feliz: Muitas mulheres com as quais você esbarra são sereiazinhas desprovidas de suas belas caudas e de suas encantadoras vozes.
Na versão original de Andersen, a Pequena Sereia salva o príncipe de um afogamento, e este se apaixona por aquela criatura linda e de belíssima voz. Fisgou, mas foi fisgado.
A sereiazinha, sabendo da impossibilidade de viver essa paixão, resolve tornar-se humana. Eu sempre me pergunto: Por que o principe não poderia ter virado um “sereio”? Como sempre, a mulher se molda.
Ela procura então uma feiticeira, e faz um pacto. A feiticeira lhe concede pernas em troca de sua bela voz. Avisou que a sereiazinha sentiria terríveis dores nas pernas para o resto da vida e nunca mais poderia voltar ao fundo do mar.
Ela parte então, à procura do seu príncipe, mas ele não a reconhece, porque se apaixonou por uma sereia de bela voz, e aquela que se apresentava a ele era uma menina muda... Concordam comigo que já viram essa estória?
Mudar, meus amores, é, claro, um processo natural e saudável na vida, mas não significa moldar-se ao gosto de ninguém. Abrir mão da própria essência e se tornar outra pessoa só pra agradar o outro não é prova de amor, é sim prova de falta de amor próprio. E quem não se ama, não pode ser amada!
De repente o homem ou a mulher da sua vida olha pro lado e pergunta: Cadê aquela pessoa que me encantou um dia? Ela olha e só vê uma versão dela mesma.
Ame, mude, mas não abra mão da sua essência.
Fique com a sua voz.
Fique com a sua cauda!!!
5 de mai. de 2008
Quase
30 de mar. de 2008
Segredo
10 de mar. de 2008
Desencantado
Não me acorde do êxtase
5 de mar. de 2008
Rubedo

e os lábios de vermelho.
Somente um iniciado é capaz de penetrar nessa alma verdadeira,
exposta e ao mesmo tempo misteriosa.
Ela não se mostra, mas se deixa ver
Ela não se revela, mas se deixa desvendar
Ela dança perto do fogo,
e a beleza de seus movimentos
se confunde com o balé das chamas.
Ao seu eleito, ela se revela bruxa
E vai dançar na Lua Cheia.
-Fabiane Ponte-
6 de fev. de 2008
ÓRFÃ

E me pinto num quadro
usando somente tintas cinzas.
Nele, me encontro de braços abertos
e com o coração fechado.
Estou na ponta dos pés
admirando o precipício.
Em solidão
Em solitude.
Não trago memórias
Não levo esperanças.
Estou totalmente preenchida por um vazio profundo.
A dor está na superfície, na pele, quase chegando na carne.
Minhas grossas lágrimas lutam pra se libertarem de mim.
O único elemento que interage comigo é o AR.
que me sopra aos ouvidos as possibilidades
que me esperam lá no precipício escuro.
No meu coração é outono
E Perséfone volto aos braços de Hades.
Rainha do Mundo Avernal.
15 de jan. de 2008
Afrodite acorrentada
mas também tua mãe, amiga e irmã.
Queria ter o direito de viver contigo
não alguns episódios, mas toda uma história.
Queria não ter outros afetos,
e poder me dedicar egoistamente só a ti.
Queria ter asas, e não raízes.
-Fabiane Ponte-
2 de jan. de 2008
Abandono

Deixei-o
o seu filhinho, embrulhado em panos
na porta de uma casa qualquer.
Deixei-o
Deixando um pedaço sagrado de mim
E ainda cheia de leite prá alimentar
Indo contra a mais sagrada lei da natureza.
Deixei-o
Como quem se dessacraliza
Abrindo mão de seus sagrados deveres
Dos seus mais preciosos deleites
De todo o sentido da vida.
E sigo em frente
Com a cerviz dura
Com um coração agora tão frio
Com os peitos derramando leite
Com meus instintos amarrados
Com os ouvidos cerrados, indiferentes ao seu choro
Uma mulher destituída do seu sentido de viver.
17 de dez. de 2007
Lilith
Prefiro o exílio à submissão
Sou teu maior temor
E também teu maior desejo,
mas não podes possuir-me
Pois sou livre
Não sou tua
Sou minha
Eu sou a paixão da noite
Sorrateiramente apareço
em teus sonhos ardentes,
nas noites de Lua Nova
Se permaneço ou sigo adiante
não terás certeza
Pois não sou caminho
Sou abismo
Sou mulher com asas
Meu desejo é a igualdade
De direitos
De prazeres
de ficar por cima
Sou mulher indomada,
Assumo o meu poder
com destemor e força,
entusiasmo e prazer.
-Fabiane Ponte-
"Beleza e força. Poder e compaixão.Gargalhadas e Reverência"
10 de dez. de 2007
3 de dez. de 2007
Do despeito
Me pregaste nesta cruz
com pregos do teu desprezo
Mas com teu odioso feito
Me puseste bem alto,
onde jamais pensei chegar.
Do alto da minha dor
Concedo-te meu mais singelo desprezo
Pois do alto enxergo-te como és: pequeno e ínfimo
Concedo-te também
O meu mais profundo perdão
pois não sabes o que fazes
E nem é digno do sangue que por ti é derramado
por nenhuma gota sequer.
Engana-te se pensas que me matas...
Eu já morri outras mil vezes
E mil vezes ressuscitei!
-Fabiane Ponte-
27 de nov. de 2007
Ártemis

-Fabiane Ponte-
21 de nov. de 2007
Afrodite
De muitos e únicos amores,
Profundos e eternos
No tempo em que duram.
Plena e Madura
Dos homens mãe e amante.
Pois me faço Donzela e Devassa
Para o meu amado.
Meus amores são carnais e etéreos.
Marginalizada
Queimada em cada bruxa
Apedrejada em cada pecadora
Apontada em cada mulher que se permite
Invejada em cada bela que assume sua fera.
Não é por conquista ou posse
O que te prende a mim
É a Liberdade
De ser e apenas estar.
-Fabiane Ponte-
16 de nov. de 2007
Duas velas
No meu altarhá sempre duas velas acesas
uma para Santa Maria
outra para Santa Madalena
As duas sempre estão a iluminar meu caminho
Há sempre uma oferenda de lírios brancos e de rosas vermelhas
Maria desperta-me a pureza de coração
Revela-me bondosa e compassiva
Madalena desperta-me a coragem de amar
Revela-me a violência das minhas paixões
No meu altar
há sempre dois sacrifícios oferecidos
Um pra Deusa Demeter
Outro pra Deusa Afrodite
As duas sempre estão a aflorar os meus instintos
Há sempre uma oferenda de ramos de trigo e de conchas do mar
Deméter desperta-me a Mãe eterna
Revela-me protetora e nutridora
Afrodite desperta-me a amante enlouquecida
Revela-me a sensualidade e a força da minha paixão vermelha...
Sou sempre eu mesma ainda que outra.
Um só coração bate nesse corpo de alma dividida
Porque sou plural
Ando sempre aos pares
Nunca estou só
Eu sou nós.
-Fabiane Ponte-
6 de nov. de 2007
LUNAR
Te procuro em minha Lua CrescenteDonzela em busca do Jardineiro
Prepare a terra virgem do meu coração
Arranque todas as ervas daninhas da inocência
Plante na minha alma as sementes da mulher que serei
Cuide-me. Vicejarei
Te procuro em minha Lua Cheia
Mãe e Amante em busca do Rei Guerreiro
Serei tua rainha e súdita
Esplêndida e entronizada
Destemida nas batalhas
Fértil, lhe gero filhos.
Te procuro em minha Lua Minguante
Sábia anciã em busca do Mago
E nessa alquimia
que funde minha alma e a tua
num só elemento
revelo o Mistério.
Te encontro em minha Lua Nova
E mudo as marés.
30 de out. de 2007
Sabores
22 de out. de 2007
Racional

Exulberante e Fulgorosa
Rubedo intenso
És a mais verdadeira em mim.
Destrono-te
E cedo meu reino
À pálida e gélida Dama de Paus
Pois no teu reino,
Pois descobri na própria carne
15 de out. de 2007
Maremoto
És marinheiro em busca de porto seguroPrescrutas o horizonte
À procura de terra firme
Desististe de tentar navegar em meu mar revolto
E manejas teu leme em busca de porto tranquilo
Paz e alento
Calmaria e repouso
segue agora as gaivotas
e pousa na praia
pois a bonança custa a chegar
Ar e água
vento e sal
E te afogas em minhas profundezas
Encontrarás
Conchas que se abrem em pérolas
Juro
que te guardo
junto aos meus tesouros esquecidos
-Fabiane Ponte-
9 de out. de 2007
Tristesse
Novamente sinto-me perdidaSem rumo
Sem norte
Jogada à sorte
As minhas retas intenções
Duram somente um breve instante
A minha fortaleza é frágil, desprotegida
Foi novamente invadida.
Meus firmes propósitos
Agora me aborrecem
O ideal de ser fixa
É agora utopia de voar.
Prá onde? Prá um passado
Que guardei lá no futuro
Ficou prá depois
E, embora não queira admitir
Apodreceu
Como fruta esquecida
Sem ser saboreada
Caída do pé de passada.




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